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Comércio Brasil e China bate recorde!

Comércio do Brasil com a China bate recorde e relação deve se fortalecer

Os negócios entre o Brasil e a China devem se fortalecer ainda mais nos próximos anos, com a crescente presença do país parceiro nos nossos projetos de infraestrutura e com a continuidade da expansão do consumo da população chinesa, avaliam especialistas.

Para o professor de relações internacionais da ESPM, José Luiz Pimenta, o interesse do país asiático nos setores de energia e de logística aponta para uma relação de longo prazo, preocupada com o desenvolvimento da produtividade e da competitividade do Brasil.

O saldo comercial (US$ 20,166 bilhões) e as exportações brasileiras para a China (US$ 47,488 bilhões) chegaram a bater recorde no ano passado, impulsionados, principalmente, pela demanda aquecida do país asiático, cuja economia expandiu mais do que o esperado.

Ontem, inclusive, a Agência Nacional de Estatísticas (ING) da China revelou que o Produto Interno Bruto (PIB) do chinês avançou 6,9% em 2017, em relação a 2016, a primeira aceleração anual do ritmo de crescimento econômico desde 2010 e acima da meta do governo chinês, que esperava alta de 6,5%. Em 2016, o PIB chinês teve aumento de 6,7%.

Pimenta avalia que a demanda da China por nossas commodities agrícolas, carnes bovinas e suínas deve continuar aquecida nos próximos anos, estimulando, dessa forma, o crescimento do saldo exportações brasileiras ao país.

“A China está redirecionando o seu foco de investimentos para o consumo interno [antes mais voltado para o comércio internacional]. Das 1,4 bilhões de pessoas que vivem no país, 55% já estão nas áreas urbanas, indicando uma continuidade de expansão da demanda interna”, destaca Pimenta. Espera-se que, até 2030, 70% da população chinesa passem a habitar as áreas urbanas.

A professora de economia da FECAP, Juliana Inhasz, acrescenta que a economia chinesa ainda deve crescer na casa dos 6% neste ano, o que pode fazer com que as nossas vendas externas ao país batam um novo recorde. No entanto, ela pontua que o saldo comercial com a China pode terminar 2018 em um patamar mais baixo do que o registrado no ano passado, tendo em vista que a recuperação da atividade interna irá puxar o aumento das nossas importações de industrializados chineses.

Infraestrutura

Além da tendência de continuidade de crescimentos das trocas comerciais, a presença de investimentos chineses no Brasil deve fortalecer a relação bilateral entre essas nações.

O coordenador de análise e pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), Tulio Cariello, informa que ainda não há um número consolidado sobre o montante de aportes chineses que ingressaram no Brasil em 2017 e o quanto deve entrar neste ano. Porém, afirma que é crescente o interesse dos chineses nos projetos de geração e transmissão de energia e de logística.

No início de 2017, por exemplo, a State Grid Corp of China adquiriu ações da CPFL Energia e da CPFL Energia Renováveis, enquanto a China Merchants Port fez o mesmo com o Terminal de Contêineres de Paranaguá (PR). Além disso, a State Power Investment Corporation (Spic) venceu o leilão da hidrelétrica de São Simão (antes pertencente à Cemig), no ano passado.

Para Pimenta, da ESPM, esses aportes objetivam um relacionamento de longo prazo com o Brasil. Ele analisa que houve uma “drástica” mudança no perfil dos investimentos chineses no País desde o início dos anos 2000.

O professor relembra que, até 2010, os aportes do país asiático eram focados apenas no setor agrícola e de minério de ferro, visando apenas o suprimento interno da China.

“Depois de 2011, os chineses passaram a ter mais interesse no mercado consumidor brasileiro, ao investir em eletrônicos e automóveis. Já a partir de 2013, eles começaram a aportar recursos nos serviços financeiros”, rememora Pimenta.

“De 2014 para cá, houve uma mudança drástica no foco dos chineses, a partir de um interesse mais voltado para a infraestrutura e geração de energia, o que mostra uma preocupação com o desenvolvimento econômico do Brasil, com a produtividade nacional”, afirma Pimenta, acrescentando que este novo perfil tende a melhorar a competitividade dos nossos produtos.

Fonte: DCI-SP